Você vai ligar para privacidade quando perder a sua

“Quando o Facebook estava começando e alguém me dizia que não estava lá, eu dizia ‘Ok, você sabe que estará’. Eu não tinha ideia das consequências do que eu estava falando. [O Facebook] muda tudo na sua relação com a sociedade, com as pessoas. Interfere na produtividade em modos bizarros. Sabe Deus o que isso não faz com o cérebro das crianças”. Continue...

‘Direito de ser esquecido’ carrega dilema fundamental do digital

O Google anunciou uma série de palestras em vários países para discutir a validade ética e legal da decisão da Suprema Corte Europeia a respeito do “Direito a ser Esquecido”, que determina que a empresa tem a obrigação de tirar de seus resultados de busca os links para artigos que sejam “inadequados, irrelevantes ou que tenham deixado de ser relevantes” quando membros do público assim desejarem. Segundo a decisão, um político acusado de corrupção pode pedir que o Google não mostre artigos abordando a acusação. A sentença pretende respeitar o direito à privacidade, mas abre um precedente perigoso: como decidir o que o público precisa saber? No equilíbrio entre privacidade e liberdade de expressão reside o dilema fundamental do digital. Se a balança pender para um dos lados, a sociedade está fadada a pagar por isso. Continue...

Ataques à liberdade na Internet voltam em tons mais sutis

Na Europa, uma decisão da Suprema Corte Européia decidiu que os motores de busca (leia-se, o Google, que detêm 90% do mercado europeu)  terão de retirar resultados que os usuários acharem “irrelevantes” sobre eles mesmos; nos EUA, um juiz deu ganho de causa aos provedores de acesso à Internet para eles cobrarem valores extras de “grandes consumidores de banda” (Netflix, Hulu, Aereo, etc). As duas decisões claramente vão contra a liberdade de expressão, asseguradas nos EUA pela primeira emenda e na Europa pela Declaração de Direitos Humanos do continente. Entre liberdade de expressão, neutralidade da rede e privacidade, qual direito individual tem mais força legal? Continue...

Revide aos ataques à privacidade se fará com criação de alternativas

A denúncia feita por Edward Snowden em maio desse ano não pode ser completamente surpreendente – não para várias gerações que nasceram e cresceram com guerra fria e toda uma cultura pop ligada ao imaginário de espionagem, conspirações e grandes complôs totalitários. Por conta disso, por mais que o choque por aceitar que o rei está nu como sempre se imaginou, o ‘mundo livre’ – leia-se todos os espectros que têm a democracia e os direitos fundamentais como princípios básicos – está demorando a reagir. A reação não é a infrutífera tentativa de convencer órgãos legislativos a coibir os excessos das companhias que financiam suas campanhas. O que a sociedade civil organizada precisa fazer é oferecer alternativas concretas para desmontar o conjunto de “ameaças” que “justificam” a violação de direitos básicos como privacidade e direito a um julgamento justo. Continue...

Escândalo do PRISM reitera necessidade de mídia multifragmentada

E ao que tudo indica, o governo “Yes, We can” de Barack Obama revela-se refém de um sistema de poder maior, que ignora partidos, eleições, eleitores e qualquer outro tipo de respaldo. Edward Snowden, um analista de dados do NSA, uma agência de segurança americana, revelou documentos que provam que o governo obtinha dados sigilosos de indivíduos da parte de praticamente todos os gigantes de tecnologia – indo de Apple a Facebook, sem deixar – quase – ninguém de fora. A denúncia marca a confirmação do inconfessável “Big Brother” que o mundo de hoje proporciona e as repercussões disso serão profundas. Mas não, apesar da brilhante cobertura do Guardian, NYT e Washington Post, não significa um comeback do jornalismo ou das empresas tradicionais. O que se prova é exatamente o contrário: que só estaremos mais seguros quando não dependermos só de meia dúzia de empresas. Continue...

Partidos Piratas são primeiro movimento genuinamente pan-europeu

Sob o ponto de vista da sociedade, não existe uma coisa chamada “Europa”. Esse tem sido o grande desafio dos políticos pró-União Européia. O continente é dividido demais em raças, línguas e credos para que se consiga estabelecer um elemento forte de união entre os cerca de 800 milhões de habitantes que vão da Grã-Bretanha até os Montes Urais ou o Estreito de Bósforo. Os britânicos, não surpreendentemente chamam os demais habitantes do continente de “os europeus”. Mas na política europeia um fenômeno recente está ganhando força: a ascensão de partidos cuja preocupação primordial são a liberdade de expressão e a neutralidade da web – os Partidos Piratas. Continue...

Divulgar informações públicas pode gerar polêmica?

Imagine se fosse possível disponibilizar publicamente a informação de onde estão todas as armas registradas num determinado país, como por exemplo, os Estados Unidos. Assim, seria possível a você, checar quais são os seus vizinhos que têm armas. Uma ideia do gênero é claramente poliemica e de alto impacto, mas, depois da tragédia de Newtown, todos os tipos de controle de armas nos EUA estãos endo discutidos. O mencionado anteriormente, por exemplo, já virou realidade numa publicação online local de algumas cidades no Estado de Nova York. Continue...

Estão para se iniciar as “Privacy Wars”

Google e Facebook estão posicionados hoje num local inalcançável pela concorrência em dois dos quatro setores da tecnologia de comunicação. O Google é imbatível na busca e o Facebook não tem rivais nas redes sociais (os outros dois players são Amazon em infraestrutura e Apple em hardware). Só que a concorrência está se mexendo, porque tanto Google quanto Facebook têm dois calcanhares de Aquiles , como a invasão da privacidade e a audiência em celulares (que falarei noutro texto). E é por isso que estão para se iniciar as “Privacy Wars”. Continue...

Mídia digital tem mais conexão com interesse público do que mídias tradicionais

Um dos termos de uso frequente mais difíceis de se estabelecer é “interesse público”. A dificuldade é porque, a própria definição da palavra é complexa (curiosamente, ou não, “interesse público” é um dos poucos termos para os quais a Wikipedia não tem um verbete em português). Em última análise, o interesse público é o benefício da maioria das pessoas, mas que pode estar em conflito com outros direitos igualmente fundamentais, como o direito à privacidade ou direito de expressão, por exemplo.  Daí, a pergunta: como definir o que é interesse público para os órgãos de mídia? A dificuldade da tarefa não é menor que sua importância. Ainda que traçar linhas numa questão tão delicada seja quase impossível, é daí que sai o verdadeiro guia do funcionamento da mídia, muito mais do que a “imparcialidade” (porque esta, sim, é uma aspiração impossível). E seja ele qual for, no que diz respeito a discutir o interesse público, a mídia digital tem mais recursos do a imprensa tradicional. Continue...

O IPO do Facebook e a crônica de uma morte anunciada

O maior e mais aguardado IPO da história da indústria de tecnologia finalmente aconteceu e não foi apenas frustrante. Apesar do título ter encerrado o primeiro dia de pregão na NASDAQ com o valor inalterado, os acionistas que se apressaram nas compras da sexta-feira de lançamento descobririam que eram felizes e não sabiam quando o título fechou a semana seguinte com uma redução de quase US$6 em relação sos U$38 iniciais. Menos contentes ainda ficaram quando descobriram que os bancos encarregados pelo Facebook para oferecer as ações ao mercado tinham tido informações privilegiadas em relação ao faturamento do titã social no segundo trimestre e esses bancos decidiram comprar menos ações para si, mas mantiveram o montante destinado a clientes. Problemas de lisura na oferta das ações à parte (o banco Morgan Stanley sozinho teria faturado quase meio bilhão de dólares com a queda do valor dos papeis do Facebook), a constatação da hiperinflação do valor da empresa estava claro há muitas semanas. Mas nem todo mundo quis ver. Continue...