Você vai ligar para privacidade quando perder a sua

“Quando o Facebook estava começando e alguém me dizia que não estava lá, eu dizia ‘Ok, você sabe que estará’. Eu não tinha ideia das consequências do que eu estava falando. [O Facebook] muda tudo na sua relação com a sociedade, com as pessoas. Interfere na produtividade em modos bizarros. Sabe Deus o que isso não faz com o cérebro das crianças”.

A frase acima não é de um ripongo bicho-grilo da contra-cultura que está na seca para queimar uma erva e se derreter no Santo Daime. Ela foi feita por Sean “Napster” Parker, o homem que levou a indústria fonográfica e cinematográfica para o ringue de luta livre dos torrents (através do Napster) e que depois resolver botar uma grana numa start-up promissora de um menino judeu fora da curva de Harvard chamada Facebook. O investimento mais certeiro da vida dele fez com que ele (e seus sucessores) não precisem trabalhar mais até o Sol se apagar, mas nem assim ele se sente grato. Ele tem medo e sabe do que tem.

Parker fala publicamente que o Facebook está longe de ser inofensivo. “Nossa obsessão era: ‘Como a gente pode gastar tanto seu tempo como possível?'”. Foi isso que levou à criação do botão de “Like”, segundo Parker, o equivalente a mais uma dose de dopamina na veia, um vício para levar as pessoas a compartilhar mais e mais coisas. Quem nunca se perguntou se não está exagerando ao compartilhar demais? Bem, é esse o problema. Quase ninguém se dá conta que está expondo até a traseira do pâncreas nas redes e vai levando o comportamento de nóia digital ao exagero supremo tentando resolver um problema de amor-próprio que deveria estar no divã de um analista em vez do celular de 2 bilhões de pessoas no mundo.

Há uma preocupação consistente nos países mais desenvolvidos acerca do tamanho do problema potencial, mas por ora, a extensão do dano ainda é só intelectual. Estudiosos e ativistas fazem um chamado da sociedade para o problema, mas ele ainda não faz ninguém perder dinheiro e os relativamente poucos prejudicados pelo problema não são suficientes para levar a uma reflexão mais profunda.

Em Maio passado, o Internet Lab (uma entidade similar em natureza à Eletronic Frontier Foundation), divulgou um trabalho que levava a duas conclusões (bastante óbvias). O primeiro é que, depois de termos dado origem ao Marco Civil da Internet (um documento progressista em comparação à média e razoável em relação ao ideal), nós não exigimos da cleptocracia congressista que legisle adequadamente a proteção da nossa privacidade. A segunda é que, como sempre no Brasil, se não tem lei, pode tudo (apesar de uma interpretação saudável do Código Civil já seria suficiente para proteger direitos que não são protegidos).  No caso do “pode tudo”, basta ver como o seu provedor de acesso rigorosamente não dá a menos pelota para seguir o certo.

Hoje, se assim o desejasse, uma entidade estatal séria conseguiria fazer um regime de vigilância quase-kafkiano. Talvez soe como enredo de Stranger Things, mas provavelmente na sua casa já existam aparelhos capazes de te colocar num Big Brother realista. TVs com serviços conectados à rede, babás eletrônicas e, naturalmente, celulares, quase nunca têm protocolos de segurança difíceis de se romper por uma razão simples: ninguém se importa. Desde os anos 50 os carros que circulavam no Brasil já tinham dispositivos de segurança, mas até o prefeito Paulo Maluf (sim, ele, o anticristo político pré-Lava Jato) decidir multar as pessoas que não usassem o cinto de segurança, 95% das pessoas não usavam. Somente quando confrontadas com as próprias perdas de posses ou direitos é que as pessoas reagem. Curioso ou não, o individualismo sempre prevalece em relação à solidariedade, como a filosofia vastamente observa.

O Brasil caminha para um momento histórico de autoritarismo e como sempre isso ocorre com a maior parte da massa de manobra cooptada pelos populistas caminha sorrindo para o cadafalso. Para cada rompante lunático de um dos candidatos que estão na ponta na pesquisa (de qualquer um dos lados), mais uma manada de gado eleitoral caminha para os extremos. Hoje, o estado policial ainda assedia somente pobres e negros no Brasil, mas o atual estado jurídico de coisas deixa o ambiente perfeito para uma desgraça qualquer no futuro.

O custo da guerra judicial da Lei de Patentes para a economia americana

Um gráfico excelente publicado pela Focus mostra por que razão a Lei de Patentes americana está se transformando num fulmine a cielo sereno (“relâmpago em céu limpo”), como se diz em italiano para um problema que é criado do nada. Os custos dos processos criados pelos patent trolls  estão diminuindo a capacidade a indústria em investir em inovação e deixando or produtos mais caros. Veja o gráfico e entenda. Continue reading “O custo da guerra judicial da Lei de Patentes para a economia americana”