Receita em queda tem conserto, ‘burnout’ da marca, não

Na primeira vez que viajei à Europa, em 1997, me lembro de ter ficado fascinado com a possibilidade de ler a edição do dia de jornais de outros países. Os principais jornais europeus – The Times, El Pais, Frankfurter Allgemeine – estavam em qualquer banca de jornais um pouco maior e suas marcas eram inquestionáveis em termos de audiência e autoridade. Mas eram os diários esportivos que eu achava mais sensacionais. A Gazzetta Dello Sport se destacava até fisicamente (pela cor rósea de suas páginas) entre tantos outros títulos. Na última vez que visitei o continente, em janeiro, só encontrei a Gazzetta em duas de 32 bancas. A perda de receita é dramática para os jornais, mas teoricamente ao menos, remediável. A perda de relevância é fatal – e o desaparecimento das bancas é sintoma do que está acontecendo. Continue reading “Receita em queda tem conserto, ‘burnout’ da marca, não”

Como o meio digital possibilitou “desertos” jornalísticos

É uma história que, se você for brasileiro, já conhece: cidade média, até com certo poder aquisitivo, tem um jornal pequeno (raramente mais de um), semiprofissional e que tem relacionamento próximo com as elites política e financeira locais. O resultado dessa equação, um jornalismo deficiente e alinhado com o poder local, criava grandes “desertos’ noticiosos, largas faixas de território onde a cobertura local era restrita e só a TV se impunha como fonte de informação. Uma combinação da evolução tecnológica e de costumes e uma recessão foram suficientes para os EUA também conhecerem a “desertificação”. Hoje é mais fácil saber o que acontece do outro lado do mundo do que na sua rua e não há uma solução em vista. Continue reading “Como o meio digital possibilitou “desertos” jornalísticos”