Na era digital, conectividade é a palavra-chave

“Eles trabalham com uma infinidade de coisas que não controlam; criam, mas não as possuem; agem mas não supõem; eles têm sucesseo, mas não se apegam ao sucesso e justamente por isso, o sucesso jamais os deixa”. A descrição  poderia ser sobre Bill Gates quando fez seu Windows mais aberto do que o establishment (leia-se, então, a IBM) permitia ou quando Steve Jobs entendeu que o DRM era uma bobagem e que  vender conteúdo era um problema de formato e não de combate à pirataria. Também poderia se tratar de Zuckerberg quando criava o Facebook de uma forma que a informação que ele coletava não ficasse restrita à rede social, mas fluísse entre outros parceiros. “Eles” são “os homens sábios” e o texto acima não é de uma palestra da Web 2.0, mas o milenar Tao Te King, escrito por volta de 600 a.C. A escritura se encaixa perfeitamente no que seria necessário entender na era da informação digital – que o controle vale menos a pena do que a conectividade; a posse vale menos que a transitoriedade; que a abertura é mais segura do que os sistemas fechados.

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Gigantes da tecnologia, o obstáculo mobile e as possíveis alternativas

Quando uma empresa tem suas receitas na casa dos bilhões de dólares, como Google (GOOG) e Facebook (NASDAQ:FB), e lucros maiores do que 50% de seus faturamentos, é de se imaginar que não haja limites para o que elas possam fazer. Afinal, dinheiro compra talento e se esse talento tem os recursos necessários, o céu é o limite. Mesmo com esse cenário, os dois gigantes da tecnologia têm diante de si, até agora, um obstáculo que pode decidir o futuro das duas empresas no médio prazo – a plataforma de telefonia móvel, ou mobile. Se há tanto dinheiro em caixa, como é que as duas empresas ainda sofrem mais que o necessário para conseguir resultados modestos diante do investimento? Continue reading “Gigantes da tecnologia, o obstáculo mobile e as possíveis alternativas”

Futuro do Twitter tem aquisição de parceiro maior ou postura “de guerrilha”

Cento e quarenta milhões de usuários ativos de 300 milhões registrados fazem do Twitter a terceira rede social do planeta em número de usuários registrados (a chinesa QZone é a segunda) ea segunda maior em influência, somente atrás do Facebook. Se levarmos em consideração a relevância na sociedade, seria possível até argumentar que o Twitter é ainda mais poderoso que o Facebook em termos de crowdsourcing dos focos noticiosos (basta lembrar de como um blogger paquistanês deu o furo da morte de Osama bin Laden). Apesar da fama e glória, o Twitter ainda carece de um plano de negócios efetivo ou de alternativas. E elas estão à vista. Continue reading “Futuro do Twitter tem aquisição de parceiro maior ou postura “de guerrilha””

Estão para se iniciar as “Privacy Wars”

Google e Facebook estão posicionados hoje num local inalcançável pela concorrência em dois dos quatro setores da tecnologia de comunicação. O Google é imbatível na busca e o Facebook não tem rivais nas redes sociais (os outros dois players são Amazon em infraestrutura e Apple em hardware). Só que a concorrência está se mexendo, porque tanto Google quanto Facebook têm dois calcanhares de Aquiles , como a invasão da privacidade e a audiência em celulares (que falarei noutro texto). E é por isso que estão para se iniciar as “Privacy Wars”. Continue reading “Estão para se iniciar as “Privacy Wars””

O IPO do Facebook e a crônica de uma morte anunciada

O maior e mais aguardado IPO da história da indústria de tecnologia finalmente aconteceu e não foi apenas frustrante. Apesar do título ter encerrado o primeiro dia de pregão na NASDAQ com o valor inalterado, os acionistas que se apressaram nas compras da sexta-feira de lançamento descobririam que eram felizes e não sabiam quando o título fechou a semana seguinte com uma redução de quase US$6 em relação sos U$38 iniciais. Menos contentes ainda ficaram quando descobriram que os bancos encarregados pelo Facebook para oferecer as ações ao mercado tinham tido informações privilegiadas em relação ao faturamento do titã social no segundo trimestre e esses bancos decidiram comprar menos ações para si, mas mantiveram o montante destinado a clientes. Problemas de lisura na oferta das ações à parte (o banco Morgan Stanley sozinho teria faturado quase meio bilhão de dólares com a queda do valor dos papeis do Facebook), a constatação da hiperinflação do valor da empresa estava claro há muitas semanas. Mas nem todo mundo quis ver. Continue reading “O IPO do Facebook e a crônica de uma morte anunciada”

De-massificação da mídia deu um nó na cabeça da imprensa

Durante o século XX, a mídia de massas atingiu seu ponto máximo. Por causa de restrições tecnológicas e regulamentação, a imprensa de uma maneira geral era quase que totalmente controlada pelo governo ou próxima dele. Somente em países nos quais as instituições eram mais fortes e a democracia mais consolidada, havia uma imprensa realmente determinada a contestar medidas governamentais. E mesmo assim, sempre em grandes corporações. Para esses grupos, a receita sempre foi simples: abordar sempre os assuntos que supostamente despertavam maior interesse, que falassem de assuntos geograficamente mais próximos e se relacionassem com a população daquele lugar (para citar um malfadado exemplo: no Brasil, um acidente aéreo só desperta interesse se houvessem brasileiros a bordo). Esse quadro não existe mais. O fim da distância e a revolução tecnológica pulverizaram focos de interesse e tornaram situações longínquas tão vizinhas quanto a esquina logo ali. E essa mudança deixou a mídia esquizofrênica.  Continue readingDe-massificação da mídia deu um nó na cabeça da imprensa”

IPO do Facebook é batalha por corações e mentes

A entrada na Bolsa mais esperada da história deve acontecer nove dias depois desta postagem. O Facebook, empresa que tem cerca de 15% dos terráqueos como seus usuários, oferecerá suas ações numa cotação que fazem seu valor de mercado chegar próximo dos US$100 bilhões, o que a colocaria à frente de colossos como McDonalds, Visa, Unilever e Siemens. Um episódio que mexe com valores dessas dimensões deveria gerar avaliações absolutamente frias e calculistas. Contudo, o assunto tornou-se uma batalha tão apaixonada quanto uma discussão sobre futebol, com pouquíssimos observadores vendo a questão sem tomar partido como entusiastas ou detratores. Nos corações e mentes, o Facebook já está na Bolsa. Continue reading “IPO do Facebook é batalha por corações e mentes”

CISPA, ataque de guerrilha com apoio do Facebook e Microsoft

Ao melhor estilo das enrustidas ditaduras pseudopoulistas, o Congresso americano aprovou na noite de ontem, numa votação que não estava na agenda, a CISPA, uma lei cuja proposta admitida é a de combater a cyberpirataria e os ataques a redes privadas, governamentais e públicas nos Estados Unidos mas que, na verdade, abre possibilidades para os major players de Hollywood e as grandes corporações a fazer o que queriam fazer com a famigerada SOPA, que desnudava a privacidade de usuários e permitia a combate à “pirataria”. A CISPA é o contra-ataque do império das corporações, agora usando táticas de guerrilha, que, provavelmente, aprenderam depois de tantos anos de combate à Al-Qaeda, para atacar a liberdade e neutralidade da web. Ninguém esperava a votação da CISPA para ontem à noite e justamente por isso, os críticos da legislação estavam desmobilizados. A luta agora passa a ser para evitar a aprovação da lei no Senado ou torcer por um possível veto do presidente Obama, mas que certamente teria um custo político num ano de eleição. Continue reading “CISPA, ataque de guerrilha com apoio do Facebook e Microsoft”

A sociedade está se redesenhando nas redes sociais. E agora?

As redes sociais e outros mecanismos de comunicação digital estão cada vez mais deixando de ser playgrounds  de entretenimento de social para se converterem no que Nicholas Negroponte chama de “o novo DNA da sociedade“. Sem sentir uma conexão e resposta com os governos nacionais, as novas gerações estão começando a criar virtualmente estruturas que, se ão devem substituir or governos num futuro próximo, vão passar a ocupar esferas de poder que os governos não ocupam ou ocupam mal. E se o Facebook e o Twitter estão virando a nova ágora, o que se faz agora?  Continue reading “A sociedade está se redesenhando nas redes sociais. E agora?”

E o Twitter tenta se provar lucrativo

De todas as ferramentas de interação social, provavelmente o Twitter é a mais impactante em termos de comportamento. Ele fez com que as pessoas conseguissem definitivamente se manter conectadas umas às outras durante o tempo todo (se isso é uma boa coisa, é um outro problema…). Contudo, ao contrário das outras iniciativas sociais que explodiram fantasticamente, o Twitter ainda tem sobre si uma dúvida vindo de Wall Street (que é, na verdade, quem manda no mundo): como ele pode se transformar numa máquina de fazer dinheiro como Google e Facebook? Na semana passada, uma importante tentativa veio à tona, ainda que com atraso. Continue reading “E o Twitter tenta se provar lucrativo”

Google+ está de olho em nicho social onde o Facebook não é invencível

As risadinhas e o schadenfreude com os quais muita gente está olhando para o Google+ são recebidos pela empresa com regozijo, segundo o próprio chefe-executivo do produto. Ok, é bem verdade que o gigante de busca não deve estar ainda tão seguro assim do lançamento mais bombástico do ano, uma vez que apesar da adoção exponencial, o Google+ ainda não se transformou num produto do dia-a-dia das pessoas, nem no Brasil, nem em nenhum lugar. Mas vendo à distância, o sinal positivo da rede social parece muito mais significativo do seu próprio futuro do que a sensação de que o produto é um fade. A meta do Google não é o buzz do dia a dia do Facebook e sim a manipulação de tráfego qualificada pela sua busca Continue reading “Google+ está de olho em nicho social onde o Facebook não é invencível”