Criticism of GDPR is smelly – and it’s not good

Last month, at last, the most awaited piece of media legislation in history has hit the real world. The Global Data Protection Regulation is a 2016 law but gave two long years for publishers to comply – and it was not enough, so publishers restricted or blocked European users from using to avoid the risks that possible fines could come. An outrage was expected, as accusations of privacy breach is unavoidable, but a second one, I must say, surprised me: the allegation of the GDPR as the instrument of governments to create a “Splinternet”, a Web that is not equal for everyone. It may well be an issue here, but it seems much more of a well-done work of marketing, PR and legal teams of the tech giants to demonise a step ahead to protect privacy. The democracy attackers are no longer only fat white old males pulling the strings of monopolistic corporations. Now, trendy, cool, well-educated, liberal élites across the Western world are helping corporations and slices of government to gnaw individual rights unceasingly. Continue reading “Criticism of GDPR is smelly – and it’s not good”

Regulation, rants and reputation: the Facebook perfect storm

These are tough times for Facebook. The company has suffered many small upsets in the past two years but kept growing, which for the whole trade meant they were doing everything alright. Now that the Cambridge Analytica scandal not only came to the surface but also gave unequivocal proof that it’s just the tip of the iceberg, the Palo Alto behemoth should conclude that the last two years were delightful compared to the scrutiny, pressure and financial loss Facebook should experience from now on. But outside Palo Alto, one question that the whole trade should be doing itself is: is it surprising that an industry that lives and dies for the goals set by marketing and sales departments rips off any regulation and break rules that can restrict potential revenues? Continue reading “Regulation, rants and reputation: the Facebook perfect storm”

Get over: there is not going to be a tech Graal to save journalism

These days, the general feeling among the digital media observers in the world is a mix of fear, uncertainty and commiseration. The industry as we know is plainly sinking. Digital journalists are replacing the number of traditional media jobs at a scale of 20 to 1. The wages are plummeting (in America far less than anywhere else). Tech companies are showing signs that they are also set to jump away from the journalism boat after spending their entire existence pledging loyalty to “quality journalism”, whatever this may mean. Following this trend, the once media-darling digital-born operations are letting the mask fall and biting the dust with everyone else. Any schadenfreude is allowed here (although it is difficult to consider a loser someone who leaves richer than before). The technomodernpress was a disease with a staggering price. Continue reading “Get over: there is not going to be a tech Graal to save journalism”

Fim do arco-íris digital pode reservar distopias para a sociedade

Não precisa procurar no dicionário. Datageddon não é um verbete (ainda) e na verdade é um termo que sugere mais risada do que medo por ter surgido numa aspa já clássica de um seriado da HBO. Contudo, pior ainda do que uma ‘bolha’ no mundo da tecnologia que pode trazer grandes perdas econômicas, uma hecatombe digital pode levar o endereço da sua casa às mãos de quadrilhas criminosas – e não, não estamos falando do governo. Continue reading “Fim do arco-íris digital pode reservar distopias para a sociedade”

‘Colapso de contexto’, o nome do suposto pesadelo do Facebook

“E então se faça o Facebook”, e se fez o Facebook. A Bíblia não diz isso, mas ela tratasse da história na mídia digital, há bastante chance de que Gênese 1:3 fosse assim. A arquetípica rede social é tão suprema em todos os seus aspectos que é imaginá-la com problemas soa irreal – mas é verdade: o Facebook não consegue mais fazer você postar fotos do seu cachorro – e ele se preocupa com isso.

É possível uma empresa com 1.6 bilhão de clientes diretos (e que teve crescimento de 14% de um ano para cá, algo descabido para números tão grandes), que gera mais de 4 bilhões de interações (que em si mesmo já são um ícone da pop culture, os likes, que é o principal gerador de tráfego social para 99 em 100 publicações e cuja receita vai aumentar em cerca de 300% nos próximos dois anos…esteja em risco?

Não, não é – mas o problema atual não é o “diz-que-me-diz” que a imprensa de tecnologia faz habitualmente. É algo estrutural.

Facebook, o ‘bicho-papão’ digital

Mark Zuckerberg certamente não imaginava que sua empresa chegaria a ter o alcance que tem hoje quando começou a programar os primeiros passos do myfacebook.com, mas não foi uma coincidência. Sua intuição de ir atrás da idéia de criar um grande catálogo interativo de pessoas é similar ao que o artista faz quando compõe uma obra – ele quase nunca percebe que tinha tanta sensibilidade para captar as mais leves nuances de um determinado momento. Ao criar o Facebook, ele sintetizou a plataforma perfeita para qualquer marqueteiro: as pessoas dizem exatamente do que gostam e do que não gostam, em que medida, até que ponto e em que periodicidade e qualquer outro detalhe possível.

A máquina de dinheiro do Facebook não está naquela que pode ser tirada de publicações, programas, celebridades e/ou entidades, mas de empresas. Essas empresas têm na plataforma a galinha dos ovos de ouro. Elas podem descobrir qual o público ideal de uma determinada campanha, chegando ao estado orwelliano de poder descobrir, com muito pequena margem de erro, onde a pessoa mora, quais os seus horários, o que seus amigos fazem ou o que a toca. O usuário não sabe, mas ele não tem chance de resistir à pressão: é o apelo adequado, no momento certo e da maneira certa, cuja combinação ele mesmo criou e forneceu ao FB em troca da interação com seu círculo de relações.

Todo este aparato de marketing funciona em cima de uma premissa: a de que as pessoas exponham parte de sua intimidade a título de “compartilhamento”. Sem essa disponibilidade por parte do usuário, boa parte do poderio da empresa de Menlo Park se desvanece. Acompanhar quais publicações o internauta acompanha (e como ele reage a elas), quais as celebridades que causam maior ‘auê’ e como os assuntos se desdobram numa rede quase sem obstáculos são itens muito valiosos, mas nem de longe se comparam ao valor agregado gerado pela intimidade. Quando você posta fotografias da sua família ou do local onde está, automaticamente você está gerando oportunidades de negócio que você jamais imaginou – mas o Facebook sim.

Preocupações de privacidade à parte, não há nada de errado na empresa explorar o nicho que ela criou. Não há nenhum tipo de desonestidade em aproveitar determinadas situações em 99% das manobras do FB (no 1%, as coisas podem ser bem cabeludas, mas menos por má-fé da rede social e mais por conta de seu tamanho colossal). A empresa capitalizou toda a sua vantagem competitiva e vai levar muito tempo para que alguém consiga se posicionar como um concorrente sério no panorama de mídia no Ocidente.

Existe um problema?

Este artigo do The Information trouxe a história que depois foi reverberada. Segundo o artigo, os usuários do Facebook postam cada vez menos conteúdo sobre si próprios e mais de terceiros. Uma vez que a companhia tem estimulado mais e mais as publicações para injetarem conteúdo em sua plataforma (chegando ao extremo  de se oferecer como o próprio gestor do conteúdo, via Instant Articles), seria compreensível que a proporção de conteúdo pessoal tivesse diminuído em relação ao total, mas não é só isso.

A razão que estaria levando a essa diminuição tem a ver com a maturação do FB como rede social. Com a primeira geração de usuários completando 10 anos de uso, suas timelines saíram de seus controles. A adição de pessoas fora do seu núcleo mais íntimos (ex-colegas, ex-chefes e outros ‘ex’ em geral) colocou os usuários numa situação de exposição que é maior do que a desejada. Embora o Facebook tenha ferramentas para se “excluir’ intrusos dos seus compartilhamentos, a maioria maciça dos usuários (perto dos 90%) não faz restrição por desconhecimento. O resultado é uma diminuição na quantidade de postagens “pessoais”, mais acentuado do que o de compartilhamento “global”, considerado normal para uma rede com tantos indivíduos.

O fenômeno, segundo o artigo do The Information, seria tratado na empresa como “colapso de contexto“, cuja definição é basicamente a exposição de determinada situação ou indivíduo que vá além da audiência para a qual era destinada, impedindo os protagonistas de se adequarem (como normalmente acontece).

Imagine que você posta uma imagem de seu filho, brincando na água, e nesta imagem há alguma menção política extremamente agressiva, mas que claramente todos os seus amigos e parentes veriam que obviamente tratava-se de uma coincidência. A foto por alguma razão viraliza e torna-se o assunto do momento, virando um violento debate político que vão da acusação a você de ferir o Estatuto da Criança e do Adolescente (que proíbe a submissão de um menor de idade a situação constrangedora) e a apologias que te colocam como um patriota (é fácil imaginar isso num momento politicamente tóxico como o atual). Se quiser, pense no viral do caso do menino cujo vídeo de Bar Mitzvah varreu a Internet.

Fonte: The Guardian/Facebook
O Facebook está tomando medidas que fazem sentido com uma ameaça do tipo, seja em função do “colapso de contexto” ou não. Há vários meses a tentativa de induzir usuários a postar conteúdo pessoal vem se intensificando. Usuários têm visto freqüentemente o “On This Day”, um feature que relembra aniversários de posts que tiveram mais reverberação (“Há X anos, você postou tal coisa…”). Os lembretes de aniversário de conhecidos também ficaram mais agudos, a empresa estaria estimulando seus funcionários a compartilhar mais coisas do cotidiano e até mesmo um projeto de pagar usuários de grande influência social para agirem como “embaixadores” das postagens pessoais estaria em curso.

Até aqui, o Facebook reagiu a todas as situações potencialmente negativas maneira extremamente eficiente e reativa. A companhia consegue identificar os problemas, não tem medo de agir determinadamente e visivelmente tem talento em seus diversos setores para aplicar pressão em problemas quando isso é necessário. A questão é que, nesta situação, pela primeira vez, a companhia estaria numa situação em que possa fazer pouco sem correr riscos. Mudanças comportamentais maturam lentamente e quando acontecem, não são alteradas ou controladas num piscar de olhos.

Não há dúvidas que Zuckerberg e seu time tenha talento, dinheiro e tato para tentar reverter o problema, mas talvez não seja o suficiente. Nos últimos 12 anos, a sociedade ocidental aprendeu a agir de modo diferente por conta da conectividade social. Se o problema existir de fato nas proporções sugeridas, não é algo que se poderá resolver da noite para o dia. E dada a relevância do FB para a indústria digital, isso seria um terremoto seguido de tsunami no que diz respeito à redefinição de ambiente.

 

 

AMP x Instant Articles, guerra aberta entre Google e Facebook

google facebook photo

A década que viu o Facebook passar de 5 milhões para 1.4 bilhão de usuários, o Google ir de 140 bilhões para 1.5 trilhões de buscas por ano marca também uma nova era – uma era dos dinossauros. Mas aqui, a menção aos dinossauros não é por conta da obsolescência e sim, do gigantismo. AMP e IA são os acrônimos da guerra de código que está começando. Continue reading “AMP x Instant Articles, guerra aberta entre Google e Facebook”

Facebook + WhatsApp apontam novo setor que precisa de regulamentação

Poucos dias depois de assombrar o mundo e dividir opiniões comprando o WhatsApp por US$19 bilhões, Mark Zuckerberg deu um jantar na sua casa em Barcelona. Ele dividiu a mesa com os 20 executivos mais poderosos da indústria de telefonia e o prato do jantar foi o mercado global de SMS. O criador do Facebook quis acalmar os ânimos dos donos da indústria, que estima-se tenha deixado de faturar US$33 bilhões em 2013 com o dreno causado pelo WhatsApp. Mas quando Facebook e as maiores empresas de telefonia se encontram decidindo os interesses que basicamente afetam o mundo todo, dá para notar que a coisa está ganhando uma nova grandeza. O encontro das duas forças sugere um acúmulo de forças nas mãos de um  grupo pequeno de players a ponto de ser necessário começar a se pensar em regulamentação. O Estado não tem de entrar no mercado – só tem de garantir que ninguém o domine. Continue reading “Facebook + WhatsApp apontam novo setor que precisa de regulamentação”

Pressão exagerada de investidores ameaça grandes produtos

Nem sempre uma boa ideia vira um bom produto. As sementes dos bons produtos, na verdade, na maioria das vezes acaba não dando em nada. Timing, investimento, bom senso e trabalho duro estão por trás de qualquer sucesso em qualquer indústria. Quando um grande produto vem à tona e consegue levantar a cabeça para fora d’água, uma grande combinação de fatores ocorreu. Assim, se uma economia que não se importa em sacrificar a existência desses fenômenos por causa de um lucro imediato maior, ela tem algo fundamentalmente distorcido, porque a economia é uma instituição da sociedade e tem de servi-la em alguma medida. E, diga-se, a economia tem algo fundamentalmente distorcido. Continue reading “Pressão exagerada de investidores ameaça grandes produtos”

Suspeita de Princeton sobre Facebook pode não ser tão absurda

Dois pesquisadores da Universidade de Princeton levantaram uma certa polêmica nesta semana ao publicar um estudo (pdf) que aposta numa queda de 80% na base de usuários do Facebook num prazo curto (entre um e três anos). A rede social de Mark Zuckerberg tirou um sarro da pesquisa (de modo até bem-humorado, dizendo que Princeton não terá mais nenhum aluno até 2021), mas a leitura do estudo suscita uma ideia interessante e mesmo que a previsão seja catastrofista demais (para o Facebook, claro), carrega indicadores que apontam um caminho no qual o futuro seja mais nicho e hiperconexão do que massa e plataformas fechadas. Continue reading “Suspeita de Princeton sobre Facebook pode não ser tão absurda”

So video does it – um sinal concreto da videomania

A comunicação digital é um meio efêmero – talvez o mais efêmero de todos. Todos os dias, um “novo Facebook” ou “novo Google” aparece na análise de um especialista. A fantástica velocidade da tecnologia, a ansiedade dos analistas em apontar tendências e a quantidade de espertalhões tentando vender gato por lebre formam esse quadro. E assim, um dos muitos “next big thing” da última década é o vídeo. Mas ao contrário das outras apostas, o vídeo finalmente se mostrou um formato com potencial viável – pois o vídeo realmente vende. De tantas apostas, a videomania é uma das poucas que vai se consolidar. E não será pouco. Continue reading “So video does it – um sinal concreto da videomania”

A realidade filtrada ou por que você acha que está sempre certo

Uma democracia só se constrói com desacordo, discussão e confronto de ideias. Essa é uma das premissas em cima das quais uma imprensa forte e independente é fator sine quae non nas sociedades democráticas. Países que têm uma imprensa com origens estatais ou altamente dependente dos favores do Estado ou establishment estão acorrentados ao poço de lama fétida que é o autoritarismo mais ou menos explícito, com variações distintas indo de ditaduras absolutas (como a Arábia Saudita) até democracias disfuncionais como Brasil, Índia ou México. E a tendência é que o quadro piore com um recurso que raramente é visto como negativo – a personalização, ou como batizou o autor Eli Parisier, a “bolha de filtros” ou Filter Bubble. Talvez você ache que cada vez mais sua opinião é a mais sensata, mas provavelmente você simplesmente está tendo acesso à realidade na qual você gasta mais e fica mais satisfeito – e ela está incrivelmente longe da verdade.

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