Escoriocracia: como a tecnologia coloca o pior da sociedade no poder

 


Quase que só no âmbito jornalístico ou nos mais sofisticados ambientes intelectuais é que se discute no Brasil a crescente pressão do cenário político americano que é fruto de um fenômeno mediático e tecnológico. O evento das fake news é muito mais profundo do que a compra de anúncios no Facebook por indivíduos russo supostamente a mando de Vladimir Putin. Em questão no episódio está uma notória incapacidade do país mais rico do mundo em regular a própria mídia, seja por meio de agências reguladoras ou legislação, seja por instrumentos que uma sociedade civil bem desenvolvida obrigatoriamente deveria ter. Mais do que uma piada prevista pelo criador dos Simpsons  há mais de uma década, a ascensão de Trump é só uma pústula num ferimento muito mais sério que é a dissociação de imensas partes da sociedade americana de sua imprensa, de suas elites de do governo como um todo. A brilhante montagem da Economist na sua edição desta semana é uma charge que anda no limite entre o humor e o terror, extremamente precisa na sugestão que faz de como o negócio bilionário das mídias sociais foi fundamental no desvirtuamento de um ambiente democrático que já vinha apodrecendo. O papa Francisco disse que o mundo parece cada vez mais se dirigir à guerra. Todo papa sempre diz isso, mas por coincidência ou não, essa previsão do pontífice parece profética.

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Em eventos como o London Riots, o jornalismo tradicional perde

Num seminário sobre social media organizado pela BBC em junho, um dos participantes se levantou e perguntou à mesa se aquele vento estava sendo exibido em streaming. Com a resposta negativa, ele disse. “Está sim. Eu estou filmando no meu iPhone e broadcasting. Isso não assusta vocês? “. E o debate foi sensacional com os jornalistas admitindo que uma empresa jamais terá a agilidade necessária para cobrir “tudo”.

Fastforward para início de agosto. Na noite de segunda-feira, quando os incidentes em Londres estavam bombando e em crescente, eu aind anão tinha noção da extensão do problema. Me perguntei se alguém teria tido a ideia de fazer um mapa usando o Google Maps ou algo assim com a localização dos confrontos. O Guardian veio a fazer isso só no dia seguinte, no magnífico Data Blog. Mas estava atrasado. Um blogger de Londres já tinha tido a iniciativa, mais de 24 horas antes. E o crowdjournalism tinha vencido mais uma. Continue reading “Em eventos como o London Riots, o jornalismo tradicional perde”