Suspeita de Princeton sobre Facebook pode não ser tão absurda

Dois pesquisadores da Universidade de Princeton levantaram uma certa polêmica nesta semana ao publicar um estudo (pdf) que aposta numa queda de 80% na base de usuários do Facebook num prazo curto (entre um e três anos). A rede social de Mark Zuckerberg tirou um sarro da pesquisa (de modo até bem-humorado, dizendo que Princeton não terá mais nenhum aluno até 2021), mas a leitura do estudo suscita uma ideia interessante e mesmo que a previsão seja catastrofista demais (para o Facebook, claro), carrega indicadores que apontam um caminho no qual o futuro seja mais nicho e hiperconexão do que massa e plataformas fechadas. Continue reading “Suspeita de Princeton sobre Facebook pode não ser tão absurda”

O tsunami Ninja

O que aconteceu quando os criadores da Mídia Ninja Bruno Torturra e Pablo Capilé foram ao Roda Viva, da TV Cultura? Várias coisas. Os jornalistas começaram a discutir a si mesmos e aos métodos ortodoxos de jornalismo. Apareceu também, pela primeira vez em muitíssimo tempo, um conceito de se reportar e produzir informação que rompe com o modelo da mídia tradicional. Além disso, os espectadores e os interessados no assunto começaram a ver que a Mídia Ninja, que se colocou como uma instituição ‘cool’ e integradora, tinha por trás de si uma górgona mantida por dinheiro público e falta de transparência, sobrevivendo com uma colaboração baseada num transe oligárquico quase messiânico de exploração, capitaneado pela figura exótica de seu ‘grande líder’ Capilé. Independente do que a Mídia Ninja vire, seu debut na pauta da mídia de massas não poderia ter sido mais bem-vindo.

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Incorporação das mídias sociais exige novo DNA da grande imprensa

No começo da década passada, o Scott Trust, espécie de fundação que é proprietária do diário britânico The Guardian e algumas outras propriedades, iniciou um debate que, à época, parecia sem lugar: como as empresas de mídia do grupo se posicionariam diante da Internet. A discussão parecia fora de hora porque a primeira bolha da Internet tinha acabado de estourar e todos os investidores de peso no meio tinham perdido centenas de milhões de dólares. Nem por isso, o Guardian desistiu e hoje colhe os louros da decisão. Continue reading “Incorporação das mídias sociais exige novo DNA da grande imprensa”

Hiperconectividade derruba cobertura vazia das TVs nos protestos

Trinta anos atrás, o Brasil assistiu a maior mobilização da sociedade pós-golpe com o pedido de eleições diretas para presidente. Naquela época, mesmo já trabalhando sem censura na prática, o país não teve a real noção da extensão do movimento. Já a maior emissora de TV do país, a Rede Globo maquiou a cobertura a ponto de seus profissionais serem ameaçados nas ruas e a empresa ter equipamento e veículos danificados pelos participantes dos comícios que eram sempre subdimensionados pela sua cobertura. Três décadas se passaram e a parcialidade jornalística voltou à tona em praticamente todas as emissoras, mostrando as passeatas que ocorrem pelo país primeiro com descaso e depois com um tom fortemente reprovatório, insistindo em chamar a atenção aos “baderneiros”.

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Dá para evitar que o crowdsourcing diminua o valor do trabalho?

Não há no mundo um argumento mais convincente, mais poderoso, mais magnético do que mencionar ao dono do capital a possibilidade de ter “custos menores”. As atividades em crowdsourcing podem ter dezenas de vantagens e versatilidade, mas é o corte de custos que brilha nos olhos dos empresários e investidores. Esse preço geralmente é pago pelo fornecedor dessa mão de obra (pelo menos no caso do uso de crowdsourcing como substituição à força de trabalho). A descentralização da oferta de trabalho é um processo muito mais antigo do que o moderninho crowdsourcing, certamente, mas é um dos argumentos mais ferozes contra a disseminação da colaboração de trabalho. A questão que se coloca é: existe uma forma de adotar práticas de crowdsourcing sem que haja uma diminuição no valor pago aos trabalhadores? Continue reading “Dá para evitar que o crowdsourcing diminua o valor do trabalho?”

De fornecedores a distribuidores de conteúdo

Raramente um setor da indústria – qualquer indústria – está preparado para mudanças que mexam no cerne de sua atividade. Por exemplo (citando o jornalista Paulo Markun), os copistas católicos pré-gutemberguianos dificilmente poderiam entender que a sua atividade não faria mais sentido com a invenção da prensa; fabricantes de artigos como máquinas de escrever, carburadores de motores a combustão e enceradeiras não conseguiam vislumbrar um mundo sem suas presenças; massagistas de times de futebol não imaginaram que a ciência traria novas formas de se evitar contusões. O jornalismo tradicional sofre o mesmo mal. Mas se evitada a negação freudiana, há saídas.

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