Pioneirismo valeu a pena para quem apostou no digital antes

Quando estourou a primeira bolha da Internet no começo da década passada, os editores dos grandes meios de comunicação sorriram com schadenfreude, felizes que, no fim, a Internet não era nada além de uma moda. Pouco depois, com a recuperação, a maioria esmagadora deles admitia que o digital era inevitável e que estavam determinados a apostar forte na nova mídia. Uma década depois do fim da bolha, as empresas que tiveram coragem de adotar uma política para as mídias digitais estão muito á frente, enquanto os tradicionalistas estão agarrados a uma âncora após o naufrágio. Continue reading “Pioneirismo valeu a pena para quem apostou no digital antes”

Revolução no jornalismo tem de ser entendida e não enquadrada

Quedas crescentes de tiragem e faturamento, aumento exponencial da concorrência (em especial, por parte das micropublicações), endividamento também exponencial por conta das custosas operações de old media vem despertando nos últimos tempos a preocupação das grandes companhias de comunicação e notícias em relação ao próprio negócio. A  revolução tecnológica, argumentam, criou um sem-número de novas fontes de notícias que – ainda segundo o raciocínio – não são confiáveis o suficiente para exercer o papel de “vigilante” da sociedade. A “preocupação” dos gigantes da mídia com a sociedade fez com que figuras proeminentes da mídia começassem a sugerir que subsídios governamentais para salvaguardar o jornalismo de qualidade. O estado confusionário da gestão das grandes empresas de mídia é compreensível, mas nem por isso, menos míope ou oportunista. Continue reading “Revolução no jornalismo tem de ser entendida e não enquadrada”

Ataque às mídias sociais é sinônimo de autoritarismo, negação e burrice

Há um ditado italiano que diz que “La madre degli imbecili é sempre incinta” (“A mãe dos imbecis está sempre grávida”). Poucas vezes a sabedoria popular foi tão precisa. Nos recentes acontecimentos na Inglaterra, onde o povo saiu às ruas e promoveu saques e destruição após a morte de um jovem, o governo conservador veio com a brilhante ideia de bloquear as redes sociais porque elas foram a ferramenta para organizar a baderna. O ditado precisa de uma adapração. A mãe dos imbecis às vezes é mother in law da primeira dama. Continue reading “Ataque às mídias sociais é sinônimo de autoritarismo, negação e burrice”

Veja o BigBrother e não saiba que está sendo assaltado

É muito comum se ouvir a crítica de que os meios de comunicação cometem algum tipo de excesso (digamos, exibem muita violência ou nudez, ou programas de QI nulo). Contudo, raramente alguém se dá conta da própria participação no processo, quando escolhe sua programação com um dos elemento citados no cardápio. Como fazer jornalismo investigativo de qualidade tendo que atender o mundo real da necessidade de audiência? Continue reading “Veja o BigBrother e não saiba que está sendo assaltado”

Data Journalism, o velho jornalismo na era digital

O jornalismo muda, mas o jornalismo continua o mesmo. Contas boas histórias e levantar fatos que passam desapercebidos pela atenção do público é desde sempre a tarefa primordial de jornalistas e jornais (ou órgãos noticiosos em geral). O Guardian, que tem se destacado muito nos últimos anos na gestão do switch digital que varre o jornalismo de fora a fora, tem um grande exemplo disso: o seu blog sobre data journalism. Continue reading “Data Journalism, o velho jornalismo na era digital”

Na rede social, jornalista é ele mesmo e não a empresa

Quando um jornalista aparece na TV investido da credibilidade de ser o “editor” de tal assunto daquela emissora, ou de um jornal, a quem “pertence” essa credibilidade: a ele ou ao meio de comunicação? E quando esse jornalista tem seguidores no Twitter? Quem tem direito a esses seguidores? Assim como a legislação, os códigos de ética e o rationale por trás das novas relações no mundo da comunicação digital estão começando a ser escritos. Ninguém saber a resposta exata a todas essas perguntas, mas os atritos já começaram. Continue reading “Na rede social, jornalista é ele mesmo e não a empresa”

Leitor, um colega de redação

Há algumas semanas, um evento realizado pela BBC, o BBC Social Media Summit (veja as palestras abaixo) , movimentou o meio jornalístico em Londres, contando com participantes da mídia tradicional como Guardian, Times e Dailt Telegraph para cobrir a reunião. A questão básica era o engajamento dos jornalistas com as redes sociais ou “com as pessoas que eram conhecidas como leitores. Continue reading “Leitor, um colega de redação”

De fornecedores a distribuidores de conteúdo

Raramente um setor da indústria – qualquer indústria – está preparado para mudanças que mexam no cerne de sua atividade. Por exemplo (citando o jornalista Paulo Markun), os copistas católicos pré-gutemberguianos dificilmente poderiam entender que a sua atividade não faria mais sentido com a invenção da prensa; fabricantes de artigos como máquinas de escrever, carburadores de motores a combustão e enceradeiras não conseguiam vislumbrar um mundo sem suas presenças; massagistas de times de futebol não imaginaram que a ciência traria novas formas de se evitar contusões. O jornalismo tradicional sofre o mesmo mal. Mas se evitada a negação freudiana, há saídas.

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BBC quer fazer jornalismo direto do iPhone

Soa paradoxal dizer que a mídia se ressinta da evolução meteórica da tecnologia, mas o fato é que a facilidade de manipulação de conteúdo pelo usuário normal tornou ele mesmo – usuário – um possível competidor para o trabalho daas majors da imprensa. Porém, nem tudo é tão sombrio quanto pode parecer para as grandes corporações de mídia no que diz respeio à evolução tecnológica. As empresas que tiverem flexibilidade para cortar na carne hoje, podem ter ganhos operacionais grandes, como está fazendo a BBC. Continue reading “BBC quer fazer jornalismo direto do iPhone”