Wired comprometeu fonte do Wikileaks. E agora?

Em 2010, não houve nenhum acontecimento global que fosse tão inarrestável como o vórtice de informações abertas pelo Wikileaks, o whistleblower do australiano Julian Assange que revelou aos olhos do mundo como a diplomacia mundial é basicamente uma rede de mentiras e traições. Bradley Manning, o grande heroi da história – como o próprio Assange afirma – contudo, ainda jaz na cadeia e há razões para achar que ele jamais sairá de lá, apesar de só ter 24 anos. A revelação de que a respeitadíssima Wired teria tido um papel na condenação moral de Manning, levanta uma série de questões no episódio. Continue...

Apesar de Ninguém & Cia, a mídia social informa – mas poderia informar mais

Numa fábula arquetípica para a cultura ocidental, a cigarra descrita por Esopo investia todas as suas energias em aproveitar o máximo a vida enquanto a formiga se preparava para dias mais difíceis. A lição moral talvez tenha perdido o sentido num momento em que o sucesso é cada vez mais dissociado da capacidade de trabalho e ligado à heranças de conexões sociais. A socialização informativa à qual a Economist se refere na edição da semana passada, de qualquer modo, parece distante da realidade das gerações mais jovens, pois não leva em conta que as novas gerações de estudantes não vêem as mídias sociais como ferramenta de informação e sim de socialização. A conexão ainda é um brinquedo de status. Mesmo informativa à força (as pessoas escutam o que está acontecendo pelos comentários dos outros), a rede ainda tem um longo potencial informacional a explorar. Continue...

Na Guerra da pirataria, quem é o pirata, afinal?

A batalha perdida da indústria de entretenimento contra o “inimigo” da pirataria teve um novo e sensacional capítulo com uma sentença na justiça americana isentando o site Hotfile de responsabilidade na “pirataria” feita pelos seus usuários. A justiça entendeu que o site (que é uma variante do mais famoso Rapidshare) não tem intenção no processo. A conclusão lógica e óbvia aponta para a derrota da megaindústria  do entretenimento, cuja negação não é por convicção mas por circunstância.  Um outro olhar para o problema tornaria as coisas mais lógicas e menos dolorosas, mas acabaria com a mamata de muitos atravessadores. Continue...

O News of The World e a rediscussão do jornalismo

O Brasil dá uma cobertura míope para o escândalo do News of the World, jornal do império de Rupert Murdoch que circulará pela última vez no domingo. Não se trata somente de um grande jornal fechando (e grande, aqui, quer dizer “grande” mesmo, com cerca de 3 milhões de exemplares por domingo). Trata-se de uma discussão radical do papel da imprensa, da responsabilidade dos jornalistas pelos atos dos seus colegas e pelo papel da sociedade na exigência do respeito à lei. Continue...

Esfacelamento da comunidade tradicional é ruína da indústria jornalística

Uma das vantagens assustadoras do mundo digital é o fim a distância. Dependendo da sua disponibilidade de ficar com estresse crônico pela ansiedade da informação, você tem todas as condições de ficar sabendo tudo o que acontece em todos os lugares do  mundo em tempo real (claro, talvez você não consiga processar tudo, mas isso é outro problema). O fim da distância trouxe, para o jornalismo, uma revolução como jamais tinha conhecido desde o momento em que Gutemberg inventou o tipo móvel. O fim da distância desinventou a realidade física, recriou os mapas organizacionais (criando outros mais verossímeis, ainda que intangíveis), e, principalmente, desmontou as comunidades, atacando o pilar central da falência do modelo jornalístico em cima do qual a indústria está montada. E agora? Continue...

Superskype ou Micosoft?

Um aparente axioma nas transações que envolvem megaempresas a caminho do dinossaurismo é a máxima do “nós sabemos como fazer”. Quando a NewsCorp de Rupert Murdoch comprou o MySpace há cinco anos, sabia o que fazer, claro. Trocou o CEO da empresa e trocou toda a board de diretores. Dois anos depois, o MySpace tinha perdido metade da base de usuários. Foi o clássico erro arrogante de quem tem dinheiro achar que sabe tudo. E a Microsoft está usando o mesmo mapa no rumo posterior à compra do Skype. Continue...

Leitor, um colega de redação

Há algumas semanas, um evento realizado pela BBC, o BBC Social Media Summit (veja as palestras abaixo) , movimentou o meio jornalístico em Londres, contando com participantes da mídia tradicional como Guardian, Times e Dailt Telegraph para cobrir a reunião. A questão básica era o engajamento dos jornalistas com as redes sociais ou “com as pessoas que eram conhecidas como leitores. Continue...

Redes sociais: uma ferramenta a mais para os jornalistas

“Essa história de leitor escrever querendo ter opinião é um saco. Ao leitor, deveria ser permitido somente escrever para dizer que gostou”. A opinião me foi dada por um luminar do jornalismo, um dos melhores textos que já conheci. Verdade, um profissional de outra época, mas jornalista na melhor acepção da palavra. A observação dele, contudo, é uma assunção que 99% dos jornalistas têm de forma privada e não têm coragem de assumir. Só que esse ganho de voz dos leitores não é ruim. Ele pode melhorar o trabalho do jornalista. Continue...

Jornais se regozijam com crescimento econômico – mas não investem

Na última década (talvez um pouco mais do que isso), a diminuição da venda de jornais no Brasil era um sintoma claro da falência do modelo vigente pelo menos desde o golpe militar. Um crescimento consistente nos números de vendas há de ter deixado os donos de empresas felizes, mas não menos míopes. O forte crescimento econômico dos últimos anos significa vento na popa agora, mas não há investimentos concretos na estrutura. E quando as vacas emagrecerem, isso vai pesar. Continue...

De fornecedores a distribuidores de conteúdo

Raramente um setor da indústria – qualquer indústria – está preparado para mudanças que mexam no cerne de sua atividade. Por exemplo (citando o jornalista Paulo Markun), os copistas católicos pré-gutemberguianos dificilmente poderiam entender que a sua atividade não faria mais sentido com a invenção da prensa; fabricantes de artigos como máquinas de escrever, carburadores de motores a combustão e enceradeiras não conseguiam vislumbrar um mundo sem suas presenças; massagistas de times de futebol não imaginaram que a ciência traria novas formas de se evitar contusões. O jornalismo tradicional sofre o mesmo mal. Mas se evitada a negação freudiana, há saídas. Continue...

Huffington Post: sucesso é atenção ao usuário

Numa época onde os jornais vendem cada vez menos anúncios, têm cada vez menos leitores e enxugam cada vez mais suas redações, a notícia de que o Huffington Post, megablog de Arianna Huffington que passou da competição dos blogs a peitar o NYT, deve abrir uma edição britânica, deve dar um complexo de asno nos editores da mídia tradicional. A pergunta óbvia é: o que que ela tem que eu não tenho? E a resposta (menos óbvia) é: muita coisa. Continue...