Já há informação em excesso – o desafio agora é como validá-la

odos os dias, um bilhão de posts são carregados no Facebook; 400 milhões de tweets são postados no Twitter e por mês, somente o WordPress publica cerca de 40 milhões de novos artigos. Não estamos atingindo a saturação agora – já a ultrapassamos há muito tempo, mas esses números só tendem a aumentar. Por isso, empresas jornalísticas que não querem ir parar empalhadas em museus de história natural devem mudar seu foco. Não é preciso criar mais informação nova, mas sim validar os feeds absurdamente grandes que já existem.

Um dos maiores problemas do jornalismo hoje é o de tentar responder novas perguntas com velhas respostas. O resultado é um quadro frustrante e em certas ocasiões, deprimente, de companhias e profissionais remando contra a maré para tentar salvar seus domínios num continente fadado a desaparecer no tsunami de informação. A luta é, além de inglória, pouco inteligente.

O abraço a ser dado nas mídias sociais não é mais uma opção. A bem da verdade, ele também não é confortável nem deixa de carregar uma imensa interrogação em relação à qualidade da informação que as sociedades democráticas precisam. Mas a alternativa é uma estrada para um limbo onde grandes nomes de jornais e revistas irão embolorar até definharem de vez.

No SXSW 2014, realizado em Austin, um dos debates foi em torno de como o jornalismo do futuro está ligado intimamente a três tendências – social, dispositivos móveis e big data. A discussão não trouxe nenhuma conclusão bombástica – pelo contrário. Os jornalistas e formadores de opinião mais importantes do mundo como Eli Pariser e Glenn Greenwald apontam um futuro no qual os veios informativos digitais são o cerne do jornalismo e o seu apêndice. Curadoria, análise e descoberta são funções que ainda serão desempenhadas por jornalistas por vocação, e não pelos profissionais que detém o mercado pela formação acadêmica.

Todas as ferramentas já estão disponíveis para esse cenário que vai se confirmando – menos uma: o da validação. Assim como o jornalismo do século XX dependeu da apuração das agências noticiosas e de companhias com reputação como a BBC, o século XXI será forçosamente empurrado a trabalhar com dados gerados por testemunhas visuais da história em tempo real. Não há mais tempo de se mandar um correspondente para um local remoto – é preciso abraçar as fontes que já estejam lá para se descobrir o que está acontecendo.

Nesse processo, o elo que falta é o da validação. O modo como cruzamos informação de diferentes fontes fará com que geradores de conteúdo desconhecidos possam garantir um solo seguro para a publicação para grandes audiências. Isso porque as grandes audiências confiam mais em nomes estabelecidos quando ocorrem breaking news. Só que esta confiança está sendo minada pelo impacto da enxurrada informativa de outras fontes. Esses processos de checagem dessa informação “crua” é o eixo sobre o qual esse novo jornalismo precisa ser desenvolvido. O caminho é repleto de desafios e armadilhas, cujo número é só superado pela quantidade de oportunidades.

Cassiano Gobbet

I am a journalist, interested in everything related to the equation technology + communication.