Futuro do Twitter tem aquisição de parceiro maior ou postura “de guerrilha”

Cento e quarenta milhões de usuários ativos de 300 milhões registrados fazem do Twitter a terceira rede social do planeta em número de usuários registrados (a chinesa QZone é a segunda) ea segunda maior em influência, somente atrás do Facebook. Se levarmos em consideração a relevância na sociedade, seria possível até argumentar que o Twitter é ainda mais poderoso que o Facebook em termos de crowdsourcing dos focos noticiosos (basta lembrar de como um blogger paquistanês deu o furo da morte de Osama bin Laden). Apesar da fama e glória, o Twitter ainda carece de um plano de negócios efetivo ou de alternativas. E elas estão à vista.

Como criar receitas no Twitter?Não se sabe exatamente o faturamento, mas é provável que esteja na casa dos US$140 milhões anuais. Apesar do valor ser irreal para  maioria dos mortais, é baixo para o alcance e tamanho da sua rede (o Facebook fatura 4 vezes a mais por usuário e isso é considerado pouco). Tudo indica que o Twitter veja em espaços publicitários a possibilidade de ampliar o faturamento (espera faturar US$ 1bilhão em 2014). Contudo, o cerne da ferramenta limita bastante a exploração do mercado de ads, que é por si só extremamente competititvo.

É pouco provável que o Twitter siga sem fazer nada. A postura de “guerrilha” que tem até agora (sem atacar novas potencialidades de arrecadação e sendo fiel ao estilo minimalista da ferramenta) é pouco atraente para investidores que não sejam zilionários que não têm mais o que fazer com o dinheiro. Mas certamente não faltam opções.

Uma delas seria uma parceria com outro gigante da tecnologia. Faria, por exemplo, muito sentido uma aliança com o Google, dada a natureza do ‘core business’ do gigante de busca e a capacidade do Twitter de gerar conteúdo novo. Contudo, dado o entrevero que as duas companhias tiveram há algum tempo torna a aliança improvável. Mesmo assim, parceiros não faltariam, tal é o prestígio, penetração e versatilidade do Twitter para ser dequado a novos ambientes. Interessados não faltariam.

Uma segunda possibilidade seria a do Twitter se reinventar tentando transformar-se em uma mídia em si mesmo, como Matt Ingram sugere que esteja acontecendo, por exemplo, com a página da NASCAR e sua curadoria de conteúdos. O próprio CEO do Twitter, Dick Costolo, já afirmou que a ferramenta não é uma mídia em si e apesar do próprio Ingram achar que Costolo está errado, tendo a concordar com Costolo. Sim, o Twitter tem uma capacidade absurda de produzir conteúdo original, mas o foco da companhia deve ser na ferramenta e na sua versatilidade, deixando a curadoria e produção para seus clientes.

Mais do que uma reinvenção radical, o Twitter precisa de um reposicionamento estratégico e, eventualmente, “plugins” (e aqui, não quero dizer plugins como os do Worpress, mas soluções customizadas que lhe dessem versatilidade para gerar novos espaços publicitários, por exemplo). Em termos de relevância e revolução comunicativa, o Twitter é imbatível e certamente a ferramenta mais aguda que apareceu nos últimos anos. Se não vivêssemos num mundo tão financializado, com um mercado tão obsessivo em aumentar lucros (como se fosse possível aumentá-los par sempre), poderia viver como está para sempre. mas como não é o caso, a plataforma de microblogging terá de buscar alternativas.

 

 

Cassiano Gobbet

I am a journalist, interested in everything related to the equation technology + communication.