Crowdturfing, o lado negro do crowdsourcing

É uma ideia que tem toda a pinta de que poderia ter sido lapidada no Brasil, a terra do “jeitinho”. Através de ferramentas de crowdsourcing fornecidas por sites como o Amazon Turk e ShortTask, espertalhões estão pagando para ter público e cotações positivas ao redor do mundo. Senhores, conheçam o crowdturfing.

Na prática, o crowdturfing é o spam 2.0. Na última década, o tráfego da rede aumentou exponencialmente, mas nenhuma atividade cresceu mais do que o spam. Mecanismos de detecção de spam foram sendo aperfeiçoados, porque o trabalho dos bots não conseguia passar por determinadas  barreiras (como a adoção de captchas). O crowdturfing, contudo, usa mão de obra humana, que pode suplantar qualquer ferramenta do gênero. Segundo um artigo da Technology Review, a atividade cresce exponencialmente, assim como o spam e o único limite é o quão baixo pode ser o pagamento para alguém se dispor a fazer a tarefa.

Quais tarefas? Inúmeras, indo de criar contas até emitir opiniões políticas “compradas”, passando pela produção de resenhas positivas falsas de produtos e serviços. Novas ferramentas até conseguem levantar algumas das campanhas “fake” , mas operações mais sutis são virtualmente indetectáveis. Em alguns sites de crowdsourcing, a atividade de crowdturfing chega a 95%. No Amazon Turk, por causa dos controles da própria Amazon, a taxa é de 12%.

“O único jeito de combater o fenômeno é ir atrás de quem paga”, afirma o professor Filippo Menczer, da Universidade de Indiana. Ele tem trabalha em projetos para detectar o crowdturfing no Twitter. Durante suas pesquisa, encontrou duas contas de Twitter que mandaram 20 mil tweets apoiando o líder republicano no Congresso americano, John Boehner. Outras campanhas de crowdturfing foram detectadas nas fileiras republicanas, que é onde certamente estnao as facções mais xiitas e radicais na política americana. Segundo Menczer, punir os contratantes do serviço é a saída mais óbvia.

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O fenômeno replica uma série de trapaças digitais que acontecem em outros setores, como por exemplo, a compra de carteiras de audiência de sites de grande tráfego (como de compartilhamento e download de arquivos) para bombar a própria avaliação de tráfego. O risco de não se regulamentar o setor é tão alto quanto o de se regulamentar seguindo os interesses intervencionistas de indústrias que perderam espaço com a explosão digital. Dessa discussão ainda sairá muita coisa.

 

Cassiano Gobbet

I am a journalist, interested in everything related to the equation technology + communication.