E o Twitter tenta se provar lucrativo

De todas as ferramentas de interação social, provavelmente o Twitter é a mais impactante em termos de comportamento. Ele fez com que as pessoas conseguissem definitivamente se manter conectadas umas às outras durante o tempo todo (se isso é uma boa coisa, é um outro problema…). Contudo, ao contrário das outras iniciativas sociais que explodiram fantasticamente, o Twitter ainda tem sobre si uma dúvida vindo de Wall Street (que é, na verdade, quem manda no mundo): como ele pode se transformar numa máquina de fazer dinheiro como Google e Facebook? Na semana passada, uma importante tentativa veio à tona, ainda que com atraso.

O feature lançado pelo Twitter na semana passada basicamente permite a anunciantes (não todos, somente um grupo de anunciantes escolhidos nessa fase inicial), que podem comprar ads via browser com um cartão de crédito, como reporta Peter Kafka do AllThingsD. É pouco provável que o Twitter desaparecesse se isso não acontecesse, mas a dinâmica irracional do mundo negocial poderia condenar o microblog a solar como um bolo sem fermento em algum tempo. Tradução: não importa se ele causou a Primavera Árabe, se ajudou a promover os tumultos em Londres e se aumenta terrivelmente a vigiliancia sobre o que fazem os políticos. Se não der dinheiro, some.

E o Twitter pode dar dinheiro? Provavelmente. É difícil imaginar que com 380 milhões de usuários, a ferramenta pudesse deixar de ser lucrativa, mas WS exige lucros exponenciais e crescentes. Se alguns milhões de dólares perfazem uma soma que a maioria esmagadora das pessoas jamais terá, é pouco para o apetite dos investidores que aguardam o IPO de empresas como o Twitter. Avaliado em US$8 bilhões, a empresa de Biz Stone precisa se provar lucrativa equivalentemente aos 380 milhões de usuários que tem.

Dá?

A resposta é “não se sabe”. Faça uma busca por “Twitter Business Model” e descubra que o mercado e o mundo digital de uma maneira geral não tem ideia. Mesmo quando Jack Dorsey fala em “acaso feliz” para o modelo de negócios do Twitter, trata-se de uma licença poética embebida em wishful thinking. O Twitter entrega 250 bilhões de interações (“tweets“) por dia, porque a ferramenta é simples e versátil, e por isso, dificulta a criação de plataformas que sejam vendáveis.

Nova Spivack escreveu há algum tempo que o Twitter deveria cobrar heavy users pela sua API. Ele até fez algumas projeções de receita para a solução. Não tenho a arrogância de peitar um mítico opinion maker como Spivack, mas a impressão que eu tenho é que se a solução fosse essa, já teria sido tomada, porque é bastante óbvia. O Twitter precisa encontrar um modo de embutir na sua ferramenta uma plataforma que possa ser facilmente vendida, entregável e que, mais relevante que tudo, não irrite o usuário. O desafio é ao redor de programação, mas tem a ver também com o modo como o Twitter se porta como empresa de mídia. Dentre as muitas empresas cujo IPO ganha grande atenção, o do Twitter é o que mais merece a atenção geral por conta de sua utilidade pública. Aguardemos.

Cassiano Gobbet

I am a journalist, interested in everything related to the equation technology + communication.