Google+ está de olho em nicho social onde o Facebook não é invencível

As risadinhas e o schadenfreude com os quais muita gente está olhando para o Google+ são recebidos pela empresa com regozijo, segundo o próprio chefe-executivo do produto. Ok, é bem verdade que o gigante de busca não deve estar ainda tão seguro assim do lançamento mais bombástico do ano, uma vez que apesar da adoção exponencial, o Google+ ainda não se transformou num produto do dia-a-dia das pessoas, nem no Brasil, nem em nenhum lugar. Mas vendo à distância, o sinal positivo da rede social parece muito mais significativo do seu próprio futuro do que a sensação de que o produto é um fade. A meta do Google não é o buzz do dia a dia do Facebook e sim a manipulação de tráfego qualificada pela sua busca

Duas novidades recentes são fortes indicadores da estratégia de longo prazo do Google: o lançamento das fanpages de marcas e a conexão entre as ferramentas sociais do G+ e o Google News. Não é possível para o Google pensar em tentar chegar perto da compreensão que o Facebook tem da vida das pessoas e como isso pode levar a caminhos de vendas. O FB tem 10% da população da Terra e hoje, tem uma compreensão dos costumes de seus usuários que faria com que os sociólogos e antropólogos pudessem estudar mais mil anos. O Google+ é uma rede de forte adoção ligada ao conjunto de produtos da empresa, mas ainda fraca em endorsement. Sim, 1 bilhão de itens entregados por dia é muita coisa, mas não entre os gigantes da mídia social. Na prática: você conhece algum heavy user do G+?

Com o lançamento das fanpages, o Google criou uma plataforma para as marcas poderem fazer um quartel-general no meio de seus consumidores, armados pela espetacular capacidade algorítmica do Google de entregar o que você quer mesmo quando você ainda não sabe. O Google, pela natureza de seu negócio, tem muito mais expertise para direcionar vendas e consumidores do que o Facebook. Com um detalhe: empresas e marcas pagam dinheiro e usuários não. Mesmo sem ter  a coqueluche comportamental, o Google+ tem potencial para ser o grande dreno de dinheiro no mercado de publicidade online. Isso, sem falar que cada vez mais, as agências publicitárias que iludiam seus anunciantes quanto à própria eficiência estão marcadas para morrer. As boas agências, por outro lado, vão fazer miséria com o armamento nuclear do Google. O Google quer atacar esse espaço porque sabe que alí – na conversão de busca em cliques – o Facebook ainda não é páreo para ele (mesmo tendo melhorado muito).

A conectividade dos botõezinhos “+1” do Google com o Google News é outra novidade importante, porque vai conectaro usuári0 mesmo fora da rede. Você terá como ver o que seus amigos leram e gostaram ao visitar o Google News e as pesquisas mostram claramente que o que mais importa para o usuário comum é saber o que os amigos estão falando (é 4 vezes mais fácil você clicar na indicação de um amigo do que numa notícia que tenha aparecido aleatoriamente). É o efeito “papo de bar” – todo mundo quer estar por dentro do que se fala no seu círculo, não importa a classe social, intelectual ou qualquer outra classificação.

A imprensa normalmente gosta de landmarks. Havia os que achavam que o G+ destruiria o Facebook. As manchetes definitivas muito frequentemente se tornam grandes pataquadas, porque o objetivo delas é chocar e não provocar reflexão. Mas o dia a dia é muito raramente excitante. Trata-se de uma longa batalha, vendia nos bilhões de pequenos detalhes, que não dão manchetes. O G+ está visivelmente trabalhando com cuidado e procurando um nicho que difere do Facebook, até porque ambos sabem que um duelo direto e irrestrito entre os dois não interessa a ninguém. O G+ tende a ser o player comercial do negócio, enquanto o Facebook, o trendy. Há espaço para outros players? Seguramente. O problema é que as empresas grandes o suficiente para entrarem na briga já tem problemas demais gerenciando as próprias idiossincrasias internas.

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Cassiano Gobbet

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