Getty Images vira cliente do Flickr e do UGC

Uma compra da Getty na semana passada transformou todos os usuários que usam o Flickr em possíveis freelancers da renomada agência fotográfica. A Getty comprou 250 mil imagens do Flickr. É a primeira vez que uma grande quantidade de imagens geradas por usuários ( o chamado UGC, ou user generated content). O crowdsource é cada vez mais parte da indústria de conteúdo – agora, literalmente.

Como funcionou: fotógrafos que usam o Flicker podem entrar para o catálogo da Getty. As fotografias escolhidas são selecionadas por editores da Getty para um grupo inicial de 250 mil. Esse bucket de conteúdo vai ser atualizado com fotos novas. Os fotógrafos selecionados podem enviar mais material para a Getty para um olhar mais atento ao trabalho deles.

A coisa por si só já é fanteastica, mas representa mais do que ela mesma. A decisão da Getty é um reconhecimento de que o UGC é não só comercialmente viável como também interessante. Serviços de curadoria de material certamente serão necessários, mas a capilarização dos sistemas de alimentação farão com que material gerado por usuários deixe de ser considerado necessariamente amador. Grandes produtores de conteúdo estão escondidos e podem passar a tirar proveito de seu talento. Segundo a imprensa especializada, um outro acordo da Getty estaria sendo fechado com o Facebook, pelas suas imagens.

O crowdsource não é a canibalização da produção de conteúdo. Ele é a eliminação de muitos dos gatekeepers que transformam certos mercados em áreas reservadas, feudos de produção que pertencem a meia dúzia de pessoas. A gestação de conteúdo em larga escala por uma quantidade grande de usuários é, aparentemente, o caminho óbvio para a geração da quantidade de conteúdo que os meios digitais precisam. Perceber isso é só questão de bom senso.

Cassiano Gobbet

I am a journalist, interested in everything related to the equation technology + communication.