Quando o erro é esperar um erro igual ao do passado

Uma observação de uma articulista de um site de negócios na semana passada me chamou a atenção. Ela lembrou que em dois eventos distintos, sem nenhuma conexão. Dois gestores de fundos financeiros fizeram uma referência amedrontadora para a situação do mundo hoje. A referência foi Adolf Hitler. 

A simples lembranca de Hitler já dá calafrios pela sua relação com o maior genocídio sistemático da história. Apesar do clichê, as observações dos dois despertam, preocupação, não tanto pelo que eles possam fazer no poder (apesar de muitos ricos – cerca de US$12 bilhões juntos, nenhum dos dois é policy maker), mas pela percepção de que algo muito errado está acontecendo em algum lugar.

Há algumas semanas, o mundo parou atônito para assistir o Tea Party chantagear o governo Obama colocando em risco a economia dos Estados Unidos; na semana passada, Israel e a direita americana se mobilizaram para impedir que a comunidade internacional reconhecesse o estado Palestino (algo que até a insuspeita Economist defende como algo absolutamente inquestionável, produzindo uma excelente charge a respeito); igualmente combatida foi a proposta de Obama de uma lei para se taxar milionários, que se exasperaram com a proposta, míopes para a realidade do mundo.

A lembrança de Hitler, que tem sido mais frequente do que deveria, é um ótimo indicador de que a percepção de que as coisas vão mal ainda existe, mas é errado imaginar que o risco para o mundo venha de um líder demagogo baixinho e assexuado com propostas baseadas em pseudociência e insânia. O espectro político que combate o estado palestino tão veementemente e que apostou contra a economia americana só para obter ganhos políticos mesmo colocando o país (e o mundo) em risco são muito mais parecidos com a ameaça que representa uma possível versão do século XXI para o fascismo moderno.  Os oito anos da gestão Bush, que destroçaram a economia americana são a meta do Tea Party, uma entidade que mistura pseudociência e insânia da mesma maneira que líderes militares e demagogos fizeram em outras épocas. A história sempre se repete, mas nunca com a mesma roupa.

A situação me lembrou muito a música Under the God, do Tin Machine de David Bowie. Fala de coisas que ficam corriqueiras na nossa sociedade, mas que escondem coisas que nos assustam. This is the West, Get used to it, They put a swastika over the door.

Cassiano Gobbet

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