Em eventos como o London Riots, o jornalismo tradicional perde

Num seminário sobre social media organizado pela BBC em junho, um dos participantes se levantou e perguntou à mesa se aquele vento estava sendo exibido em streaming. Com a resposta negativa, ele disse. “Está sim. Eu estou filmando no meu iPhone e broadcasting. Isso não assusta vocês? “. E o debate foi sensacional com os jornalistas admitindo que uma empresa jamais terá a agilidade necessária para cobrir “tudo”.

Fastforward para início de agosto. Na noite de segunda-feira, quando os incidentes em Londres estavam bombando e em crescente, eu aind anão tinha noção da extensão do problema. Me perguntei se alguém teria tido a ideia de fazer um mapa usando o Google Maps ou algo assim com a localização dos confrontos. O Guardian veio a fazer isso só no dia seguinte, no magnífico Data Blog. Mas estava atrasado. Um blogger de Londres já tinha tido a iniciativa, mais de 24 horas antes. E o crowdjournalism tinha vencido mais uma.

Na manhã de terça, abri a Folha de São Paulo e a pobreza do noticiário sobre Londres me chocou. Não havia uma notícia que tivesse sido apurada depois das 7 da noite da segunda. Os follow ups feitos pelos jornalistas em tom de análise eram igualmente pobres. E o leitor do jornal que não tivsse ido dormir com as galinhas se dava conta de que estava na mão com papel para reciclagem e nada mais.

Na prática, quem acompanhasse as contas de Twitter corretas teve a melhor cobertura do evento pelo microblog de Biz Stone. Mesmo jornais como o Guardian, cujo tino jornalístico é infinitamente maior do que a média, perderam porque no live event não localizado, não tem como uma cobertura tradicional pegar tudo. Mas em toda rua, todo beco, tem alguém capaz de transmitir ao vivo o que está acontecendo.

Meios de comunicação que se disponham a fazer uma integração a fundo com as mídias sociais têm a excelente oportunidade de se redesenharem e virarem curadores de informação – a nova vocação do jornalista. Jornais e revistas estão numa guerra perdida correndo atrás das notícias. Reflexão e análise ainda têm espaço nesses meios, mas nesse caso, não adianta povoar redações com meninos recém-formados, pagando salários achatados (isso sim uma absoluta vulgarização da profissão). O hard news escorreu das mãos e caiu para quem tem agilidade para fazê-lo. A imprensa tradicional ainda tem chance de se salvar se não entrar em negação. Doutra feita, os midiossauros estão diante sde sua era glacial.

Cassiano Gobbet

I am a journalist, interested in everything related to the equation technology + communication.