Quatro coisas sobre o uso dos Ipads

Uma matéria muito legal saiu no 10.000 words sobre a utilização do iPad. Algumas são boas notícias para as indústrias da informação, outras não. Mas são todas muito interessantes para quem acompanha o desenvolvimento dos novos caminhos da informação.

jornais cuja circulação estão em queda livre é que o iPad não vai reverter os leitores do papel em Primeiro, e absolutamente preocupante para os digitais mantendo a mesma receita. Inúmeras razões apontam para isso. Primeiro, que o valor da exposição digital e o das assinaturas se reduz; segundo, que os tablets aumentam a oferta de conteúdo e isso tira o foco do usuário, que passa a ficar mais picky com o que vai comprar; terceiro, que os jornais e seu modo de produção/modelo de negócios atingiram seus limites. Os tablets como o iPad precisam de novos formatos de produção e distribuição de informação que sejam mais dinâmicos, baratos e menos centralizados que os jornais.

Segundo, os e-readers ainda terão vantagem na leitura de livros em relação a iPads e afins, por causa de suas vantagens de legibilidade, preço e peso. Mesmo ficando limitados a uma função que tem sempre menos adeptos proporcionalmente (porque ler livros é uma ação que consome tempo, demanda esforço e foco), os readers como o Kindle são melhores para se ler longos textos do que os voláteis tablets, onde o usuário pode sair da tarefa com muita facilidade.

A terceira é sensacional para a indústria da publicidade e um pouco óbvia. O iPad deixa a publicidade muito mais legal, interativa e atraente (e eficiente) para o consumidor, o que pode aumentar o valor se seus espaços para quem souber trabalhar e sair da enrolação das campanhas de mass media que são um lixo – porque no fim, o que aparece na Globo vende de um jeito ou de outro. A exploração das possibilidades dos tablets deixa os publicitários capazes mais poderosos e os anunciantes podem passar a pensar em analisar mais com quem deixam suas contas porque dá para gastar menos e vender mais com um publicitário esperto trabalhando.

A quarta coisa é que, mesmo que com uma receita menor, se os jornais não quiserem fechar, terão de pensar em como se comunicar com os ipadders porque é neles que os leitores estarão recebendo o jornal de amanhã (na verdade, de hoje, porque o ciclo de tempo vai acabar, mas isso é matéria de outro post).

Uma das conclusões possíveis é que, não, não será uma era da informação determinada por bloggers o que caracterizará o jornalismo de amanhã. A sociedade, como disse Steve Jobs na conferência do D8, precisa de uma imprensa livre para ficar saudável. O que vai acontecer por bem ou por mal é que moguls como Rupert “Palpatine” Murdoch terão de abrir mão de parte de seu poder se não quiserem cair numa era glacial. Organizações mais dinâmicas e espertas (como o HuffPost, ainda esse que não seja o máximo em jornalismo) já entenderam que os novos usuários e leitores não aceitam a dominação da informaçnao por entidades despóticas (no Brasil, temos nossas próprias referências). Bloggers e grandes corporações terão papel relevante desde que entendam o que é preciso entender. Nesse cenário, o iPad e os tablets definitivamente são protagonistas – até que sejam substituídos por algo novo.

 

Cassiano Gobbet

I am a journalist, interested in everything related to the equation technology + communication.