“Local Ads” são um Velho Oeste começando a ser explorados

Desde o nascimento da Internet, uma das questões que surgiram foi a relacionada à gestão do ambiente local. Como dizia um amigo: consigo saber o que vende em Nova York, mas não no meu bairro. Geolocalização, mapeamento de usuários geograficamente por IP e “localização” de anúncios foram lapidando a questão. Esse novo horizonte – o da exploração dos anúncios locais digitais – está começando a ser invadido pela Corrida do Ouro Virtual.

A expectativa a curto prazo (três anos é curto prazo) é avassaladora para os negócios. Compras em devices digitais irão responder por dois terços da quantidade total e metade da receita. As compras por impulso serão as donas do terreno. Mas além disso há um universo novo que começa a ganhar vulto no mercado: aquele pelos anúncios das pequenas empresas. O Google já partiu para cima da presa com o Ad Express. Mas não é só ela. Outras empresas, mais locais, como a cadeia de jornais do Ray Tindle,  na Inglaterra, começou a apostar em anunciantes menores. Há receita em negócios menores da mesma maneira que a Cauda Longa de Chris Anderson mostrou que nem só nos blockbusters pode estar a receita interessante.

Nesse cenário que vem se desenhando há tempos,  as marcas terão de ser mais fáceis de achar, acessar e comprar, terão de estar mais presentes na vida de seus consumidores e precisarão ser mais relevantes para eles – ninguém quer escutar discursos de vendedores de loja. O que um consumidor falou de você é seu melhor vendedor ou pior inimigo. Estar na comunidade digital voltou a ser o que era há cem anos – você tinha de conhecer as pessoas e tratá-las pelo nome (hoje, nickname) para ter a confiança delas. Respostas em massa são lixo puro.

“Local Ads” também são uma ferramenta que interessa à entrega de conteúdo. Os cadernos de esporte, por exemplo, tiveram problemas em toda sua vida em relação á venda de anúncios fora da capital, por exemplo. Coberturas de times menores eram medíocres porque não geravam o suficiente para fechar a conta e leitores do interior de São Paulo, digamos, só viam notícias dos times de suas cidades a cada década. Toda a herança disso representou a morte dos clubes locais pelo Brasil, hoje, antros políticos dominados por agentes que estacionam seus jogadores. Com a nova ferramenta, estratégias para tornar possíveis  coberturas menores passam a ser viáveis. A única coisa é que faz-se necessária uma alteração das políticas comerciais e da mentalidade dentro das empresas. Isso sim é um desafio.

Cassiano Gobbet

I am a journalist, interested in everything related to the equation technology + communication.