Leitor, um colega de redação

Há algumas semanas, um evento realizado pela BBC, o BBC Social Media Summit (veja as palestras abaixo) , movimentou o meio jornalístico em Londres, contando com participantes da mídia tradicional como Guardian, Times e Dailt Telegraph para cobrir a reunião. A questão básica era o engajamento dos jornalistas com as redes sociais ou “com as pessoas que eram conhecidas como leitores.

Entre as muitas observações sobre o assunto, a ideia principal era a de que o jornalismo tradicional, feito nas redações com reuniões de pauta, pautas que eram feitas muitas vezes com as conclusões embutidas e decisões sobre o que as pessoas querem está morto. “Mídia social é algo que fazemos com a audiência e não para ela”, descreveu Meg Pickard, do The Guardian. Seu editor-chefe, Alan Rusbridger, foi mais fundo, dizendo que os jornalistas da geração atual precisam aceitar que uma mídia aberta é uma mídia melhor”.

A conslusão de Rusbridger e Pickard parece estar em sintonia com o relatório da Pew Internet citado num post anterior: a audiência hoje é parte do processo jornalístico e não apenas na seção de cartas. Julie Posetti, do Mediashift, coloca a evolução do assunto assim: “em 2009, fiz uma palestra em Sidney cujo tema era “Por que devemos nos engajar”; hoje, a pergunta é “Como devemos nos engajar”.

Uma maior quantidade de fontes é a grandevantagem do processo; uma apuração muito mais difícil em termos de checagem de informação, o setback. Segundo a coordenadora de mídias sociais da Al Jazeera, Esra Dogramaci, a equação passou a ser (Informação – ruído) + Contexto = Jornalismo responsável. A equação é muito precisa e basta ver o “processo” jornalístico dos programas esquizofrênico-policiais ou dos pseudojornalístico esportivos da TV brasileira para entender. A essência não mudou; o trajeto, sim. Numa emissora como a Al Jazeera, a participação da audiência no processo pode ser ainda mais fundamental, como nos levantes no Oriente Médio, onde pessoas comuns converteram-se em fontes de informações primordiais com blogs e Twitters. O jornalismo tradicional está morto. E que descanse em paz.